terça-feira, 30 de abril de 2019

TABATA AMARAL, EXEMPLO PARA OS JOVENS

TABATA AMARAL, BIOGRAFIA
Por: Tamíris Almeida

Com 25 anos, garota prodígio da periferia, Tabata Amaral se elege deputada federal, a sexta mais votada em São Paulo, com 264.450 votos.

“Tabata Amaral de Pontes é filha de Maria Renilda Amaral Pires, diarista, e Olionaldo Francisco de Pontes, cobrador de ônibus, cofundadora do Movimento Mapa Educação e do Movimento Acredito, movimento político nacional e suprapartidário, que busca a renovação do congresso. Formada em ciências políticas e astrofísica pela Universidade Harvard. Tabata graduou-se com honras máximas e recebeu o Prêmio Kenneth Maxwell em estudos brasileiros e o Prêmio Eric Firth para o melhor ensaio sobre o tema de ideais democráticos por sua tese. Logo após a sua graduação, retornou ao Brasil para dedicar-se ao seu ativismo social.”  https://pt.wikipedia.org
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Da escola pública na periferia de São Paulo a Harvard, conheça quem é Tabata Amaral, a jovem que quer transformar a Educação Pública no Brasil.
Estudante de escola pública, Tabata Amaral, recebeu uma bolsa integral para fazer graduação na Universidade de Harvard, nos Estados Unidos. Formou-se em Ciência Política em 2016 e, de volta ao Brasil, foi eleita deputada federal pelo PDT de São Paulo em 2018. Uma de suas principais bandeiras é a defesa por uma Educação de qualidade para redução das desigualdades no Brasil.

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Nascida na periferia de São Paulo, Tabata recebeu bolsa para estudar Ciências Políticas em uma das maiores universidades do mundo, Harvard. (Foto: Acervo Pessoal)
Futura & Educação: Como foi a sua trajetória até chegar a Harvard? Alguma vez você já imaginou que poderia ir tão longe?
Tabata Amaral: Eu tive a chance de participar da 1ª OPMEP (Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas) e ganhar uma bolsa de estudos em São Paulo numa escola particular. Até então, eu estudava em uma escola pública na Vila Missionária [um bairro na periferia de São Paulo formado por migrantes de outros estados].
Assim, pude ter acesso a uma melhor qualidade no ensino e a matérias que eu não estudava. Vi que essa outra realidade era muito diferente. Nesta escola conheci pessoas que falavam outro idioma, viajavam para fora, já faziam intercâmbio. E eu, que demorava 4h para ir e voltar da escola, nunca tinha possibilidade de pensar em qual era o meu sonho. Conheci um mundo muito mais amplo que o meu.
Foi então que eu comecei a sonhar em fazer uma faculdade fora. Inicialmente, eu queria fazer Astrofísica. Os professores conseguiam um quartinho para eu ficar na escola. De onde eu venho, eu tenho claro como é a desigualdade no Brasil. Falta educação de qualidade para muita gente. Por alguns momentos eu conseguia vislumbrar essa realidade.
“De onde eu venho, tenho claro como é a desigualdade no Brasil. Falta educação de qualidade pra muita gente.”
Eu perdi meu pai 4 dias depois que fui aprovada em Harvard. O que fez que meu sonho em ser Astrofísica também mudasse. Daí, decidi que ia fazer Ciências Políticas. Fiz faculdade entre 2012 e 2016.
Futura & Educação: Qual a origem da sua família? Conta um pouquinho mais sobre a sua história.
Tabata: Minha mãe veio do interior da Bahia. Ela começou a estudar com 10 anos, mas quando engravidou de mim ela saiu da escola e foi trabalhar. Meu pai conheceu minha mãe quando ela estava grávida. Ele é de São Gonçalo e foi pra São Paulo com 15 anos, mas tinha doenças psicológicas e vícios. Ele nasceu na Paraíba, mas viveu em São Gonçalo. Ele junto com minha mãe foram morar numa ocupação na Vila Missionária, onde ela mora até hoje. Descrição: http://s3.amazonaws.com/futurabucket2017/wp-content/uploads/2019/03/15151231/unnamed-2.jpgTábata ao lado de Malala, uma de suas principais inspirações. (Foto: Acervo Pessoal)
Futura & Educação: Como foi o período em que esteve em Harvard? O que mudou na Tabata?
Tabata: Uma coisa que mudou foi a minha visão do mundo. Eu tive muitas oportunidades muito jovem, mas eu sempre morei na Missionária. Hoje, eu tenho uma visão muito mais complexa da desigualdade. Lá [nos EUA}, eu conheci tanta gente: mulheres, homens, jovens, negros… pude ver que a solução não é simples, mas precisamos de políticas públicas para transformar a Educação no Brasil.
Futura & Educação: Por que decidiu voltar ao Brasil?
Tabata: Eu fui para Harvard quase sem falar inglês. Minha mãe ficou desempregada e não tinha condições de pagar um cursinho de idiomas. Eu só fui porque os meus professores do colégio e minha mãe me convenceram a ir. Na época, eu me sentia muito culpada por não poder ajudar meu pai. Só fui mesmo porque me convenceram que assim eu poderia mudar as coisas.
No segundo ano eu mudei de curso porque decidi estudar mais sobre Política e Educação. Queria – e ainda quero – mudar a realidade do Brasil. Nas férias, eu voltava para o Brasil. Eu sei que lá ganharia muito mais, mas acho que fazia mais sentido eu voltar. Conheci de perto a Secretaria de Educação no Ceará (Sobral) e depois a Secretaria pública de Salvador (BA). Eu pude ver o que é possível transformar a nossa Educação.
Descrição: http://s3.amazonaws.com/futurabucket2017/wp-content/uploads/2019/03/15150806/unnamed.jpgTábata foi uma das 11 jovens selecionadas para conhecer Barack Obama durante a visita do ex-presidente americano ao Brasil. (Foto: Anna Carolina Negri)
“Eu sei que lá ganharia muito mais, mas acho que fazia mais sentido eu voltar pro Brasil.”
Futura & Educação: Como mudar a educação pública no Brasil?
Tabata: É um conjunto de fatores. Atração, valorização de professores, ensino integral, rever FUNDEB (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica) e gestão de politicas públicas.
¾ dos munícios escolhem seus diretores por indicações políticas. Em muitos estados, não há vontade política para a Educação dar certo. Ela só vai dar certo com quando for colocada como prioridade de política pública.
Futura & Educação: O que você espera dos próximos anos na educação brasileira?
Tabata: O meu sonho é que a Educação vire prioridade no país para que a gente tenha a melhor educação pública do mundo. Temos uma população que não vai à escola, é analfabeta funcional. Tem que ter uma renovação política.
Futura & Educação: O Movimento Acredito tem essa proposta de renovação política?
Tabata: Sim, é um movimento de renovação política e temos agendas de combate a desigualdade e privilégios. Mais do que uma disputa entre esquerda x direita, defendemos bandeiras voltadas para a Educação, para que as pessoas voltem a acreditar na política, voltem a acreditar no Brasil e convocamos as pessoas para pensarem e mudarem suas realidades.
Já revitalizamos praças, já fizemos ação para que os jovens tirem título de eleitor, apoiamos jovens, fizemos abaixo assinado. Atuamos em 14 estados: Acre, Pernambuco, Ceará, Bahia, Minas Gerais, Distrito Federal, Goiás, Paraná, Santa Catarina, São Paulo e Rio de Janeiro.
Tabata faz parte de um movimento nacional suprapartidário formado por jovens insatisfeitos com a política desenvolvida atualmente no país. Saiba mais sobre o Movimento Acredito.
Futura & Educação: Quem é a sua principal inspiração para promover essa transformação política na educação?
Tabata: A Malala Yousafzai é uma pessoa que eu admiro muito. E vi o quanto ela é gente como a gente. Se ela sendo gente como a gente conseguiu fazer a revolução, por que também não conseguimos? Isso me inspirou muito. Em julho de 2018, ela deu uma palestra no Santander e eu fui uma das jovens selecionadas para participar da conversa sobre jovens e políticas. Ela falou que os jovens estão muito desanimados com a solução política, mas ela estimulou. Falou para não desistirmos.

quarta-feira, 20 de março de 2019

CENTRO ESPACIAL DE ALCÂNTARA


CENTRO ESPACIAL DE ALCÂNTARA                          Por Theodiano Bastos
 
Atravessei a Baia de São Marcos, com o Mar revolto, e conheci Alcântara, uma cidade cheia de história imponentes casarões, gostei muito do que vi e recomendo.

RIO E WASHINGTON — Um dos pontos fortes da primeira visita do presidente Jair Bolsonaro a Washington será a assinatura de um Acordo de Salvaguardas Tecnológicas (AST) para que Estados Unidos e outras nações possam lançar satélites a partir do Centro de Lançamento de Alcântara (CLA), no Maranhão. O entendimento permitirá a presença de estrangeiros na base militar, mas corrige pontos controversos sobre a soberania nacional que levaram o Congresso a congelar a aprovação do primeiro acordo do tipo, firmado em 2000, no governo Fernando Henrique Cardoso. https://oglobo.globo.com/ 17/03/19
Consta que os índios que habitavam esta região a chamavam de “janela para o Céu”. Como poderiam saber disso, é um mistério a ser investigado. Os Krĩkati eram um dos povos Timbira que habitam essa região.”
Talvez a explicação esteja no livro “Eram os Deuses Astronautas? de Erich von Daniken
 
“Alcântara é um município da Região Metropolitana de São Luís, no estado do Maranhão, no Brasil. Sua população estimada em 2014 era de 21 652 habitantes. Possui uma área de 1457,96 quilômetros quadrados.
A zona do atual município era habitada por índios tupinambás, numa aldeia chamada Tapuitapera. Os franceses estabeleceram-se no início do século XVII, sendo, posteriormente, expulsos pelos portugueses. 

A povoação foi elevada a vila de Santo António de Alcântara em 1648, tendo sido sede da Capitania de Cumã. Durante o período colonial, foi um importante centro agrícola e comercial. No século XIX, a cidade entrou num período de decadência, permanecendo como testemunho do seu período áureo o acervo arquitetônico de seu Centro Histórico, tombado pelo IPHAN, em 1948. [7]
 
Perto de Alcântara, há um centro espacial do qual são lançados os veículos lançadores de satélites no âmbito da Missão espacial completa brasileira. É o CLA - Centro de Lançamento de Alcântara. Na América Latina, o CLA é o único concorrente do Centro Espacial de Kourou situado na Guiana Francesa, mas, ao contrário deste, o centro espacial brasileiro não opera lançamentos constantes em razão de atrasos logísticos e tecnológicos.
 
Fica, também, perto desta cidade, a ilha do Cajual, um importante sítio arqueológico do Maranhão. A presença de fósseis de espécies que também viveram na África comprovam que a África e a América do Sul já foram um só continente. A cidade também é muito conhecida pelos seus doces de espécie. A festa do Divino Espírito Santo ("festa do Divino") é bastante difundida no estado, já que são aproximadamente 15 dias de festa durante a qual são servidos, de graça, licores e doces. 

O acesso à cidade também pode ser feito por sistema de ferry-boats, que ligam a cidade de São Luís até o porto de Cujupe, em Alcântara, bem como por barcos menores e catamarãs saindo do Cais da Praia Grande, no Centro de São Luís. Fonte: https://pt.wikipedia.org/

BRASIL - ESTADOS UNIDOS E A NOVA SÍNTESE


BRASIL - ESTADOS UNIDOS                           E A NOVA SÍNTESE
Por Theodiano Bastos

O Brasil sempre se saiu melhor quando o Partido Republicano está no poder e agora com o excelente entrosamento  entre Trump e Bolsonaro poderemos esperar dias melhores para o Brasil e quem sabe a construção de uma “Nova Síntese”, de que fala Vianna Moog em seu extraordinário livro 'BANDEIRANTES E PIONEIROS".

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Nesta grande obra de Vianna Moog, consta: “Encontramos que entre os países de extensão continental e grandes populações, tais como os Estados Unidos, Rússia, China, o Brasil se insere com grandes possibilidades de obter êxito numa “NOVA SÍNTESE”, capaz de conciliar os vários conflitos que lavram no ocidente e no mundo... surgirá no Ocidente, não nos países situados na órbita protestante, mas algum dos países de origem e tradição latina, de preferência no México, no Brasil e no Canadá francês ou a hipótese de que a NOVA SÍNTESE acabe surgindo no sei das minorias católicas americanas”, diz profeticamente Vianna Moog. Creio que o Brasil, por ser de extensão continental, grande população multirracial e de língua única, falada em toda a sua extensão, apresenta-se como um laboratório social viável para a NOVA SÍNTESE
 
Trump: “Brasil e EUA nunca estiveram tão próximos como estão agora”
Donald Trump disse ser uma honra receber Jair Bolsonaro na Casa Branca.
“Ele tem feito trabalho espetacular e liderou uma das campanhas mais impressionantes dos últimos tempos. O Brasil é um grande amigo. Brasil e Estados Unidos nunca estiveram tão próximos como estão agora”.
O presidente americano citou a Venezuela e o comércio como temas das conversas. Deu de presente a Bolsonaro uma camisa da seleção americana de futebol, que retribuiu com uma da CBF com o número 10.                
   UM NOVO MUNDO É POSSÍVEL?
Tenho repetido nos livros de minha autoria “A Procura do Destino”, “O Triunfo das Ideias” e “Pegadas da Caminhada”, e em artigos, e onde mais posso, as obras de Erich Fromm, principalmente "A Revolução da Esperança" e "Ter ou Ser?", nelas encontramos luzes: "Creio que nem o capitalismo ocidental nem o comunismo soviético (que já faz parte do passado) — ou chinês, podem resolver o problema do futuro. Ambos criam burocracias que transformam o homem numa coisa". “O homem deve colocar as forças da natureza e da sociedade sob o seu controle consciente e racional, mas não sob o controle de uma burocracia que administra coisas e homem, mas sob o controle dos produtores livres e associados que administram coisas e as subordinam ao homem, medida de todas as coisas”.

                                   “O homem pode destruir toda a vida civilizada e os valores que restarem e construir uma organização bárbara, totalitária, que domine o que sobrar da humanidade. Ter consciência desse perigo, analisar as expressões dúbias por ambos os lados para impedir que os homens vejam o abismo para onde estão marchando, é obrigação, o mandamento intelectual e moral que o homem deve obedecer hoje. "Se não o fizer, seu fim será certo", alerta Erich Fromm.

                                   A resposta para o problema da liberdade não será encontrada na mudança da forma política de governo, mas na transformação econômica e social da sociedade. Mudanças simultâneas na esfera da organização industrial e política da estrutura do caráter e das atividades culturais. A concentração dos esforços em qualquer uma dessas esferas com a exclusão ou negligência de qualquer das outras, tem ação destrutiva sobre toda a modificação, continua ensinando Fromm, que conclui: "Um passo de progresso integrado em todas as esferas da vida, terá resultados de maior alcance e mais duradouros para o progresso da raça humana, do que cem passos numa só direção". Hoje, com os recursos disponíveis no Brasil na área de comunicação social de massa, e principalmente a televisão e o rádio, como também jornais e revistas, com o que é possível atingir até cidadãos analfabetos, hoje bem informados  do que acontece no Brasil e no mundo, com seu radinho a pilha, não é ser sonhador pensar que já se pode dar no Brasil um passo decisivo para o fim da história "humanóide", na qual o homem ainda não é completamente humano, mas ainda "O lobo do próprio homem", na visão pessimista de Hobbes. 

                                      A mídia vem sendo usado para tornar as criaturas infelizes com o que possuem, impingindo uma sociedade de consumo com o uso da propagando subliminar, a saturação psicológica inconsciente de nossas crianças. As empresas do futuro, numa "nova síntese", ficarão com a iniciativa privada, mas de natureza comunitária de fins comuns, que tenham de viver do lucro, porque sem lucro não sobrevivem, mas cujo fim não seja o lucro em si, mas a prestação de serviços públicos. O mundo se tornou uma imensa aldeia e a interdependência dos países é de tal ordem, tão estreita, que quando se fala do destino do Brasil, também se fala do destino de Gaia, a nave mãe Terra em viagem pelo espaço sideral, e creio que o Brasil tem um grande destino a cumprir na história da humanidade, na sobrevivência da espécie humana, com possibilidade de criar as condições que apontem para um futuro de convivência mais fraterna. Todavia  se observa e nos faz refletir, é a atual ausência de reações por parte dos jovens diante do que se vê nesse descomunal descalabro no Brasil dos nossos dias. Alienação, desesperança, egoísmo, dos jovens?  “Como explicar e compreender os jovens brasileiros diante do descomunal descalabro que está marcando a realidade brasileira. É voz corrente que jamais, em tempo algum da história brasileira”?, pergunta a escritora Raquel Stivelman, em seu artigo Jovens: ontem e hoje. (JB 08/4/06 p.All).  

                              André Malreaux diz: "A civilização atual está ocupada, provavelmente, em inventar algo tão importante quanto o que o século XIX inventou. Mas não sabemos exatamente o que é. É o ponto de passagem com as três hipóteses para o futuro da humanidade: a) Uma grande tragédia; b) Um grande fenômeno espiritual (não necessariamente religioso); c) Uma espécie de "terra de ninguém", como a que já é habitada pelos especialistas". Almeja-se uma globalização solidária: "Esse novo projeto crítico da sociedade não pretenderia mais mudar o modo de produzir — do capitalismo para o socialismo — mas procuraria universalizar direitos e bens dentro da sociedade de mercado". Mesmo sem mudanças no modo de produzir, se está buscando um aumento do bem-estar", disse ainda, citando Eric Hobsbawm, pensador inglês, e Norberto Bobbio, filósofo italiano.

                                      Enfim, os humanos estão, hoje em dia, diante da escolha mais fundamental: não é a escolha entre o capitalismo e o comunismo (já reprovado pela história), mas entre o robotismo e o socialismo comunitário humanista, um socialismo com liberdade, com produtores livres e associados, que administram coisas e as subordinam ao homem, medida de todas as coisas, continua ensinando o mestre Erich Fromm, que em suma diz que estamos a ponto de atingir um estado humano correspondente à visão dos nossos grandes Mestres, tais como Lao-Tsé, Buda, Cristo, Isaías, Sócrates e Maomé, pois todos ensinaram o uso da razão, do amor e da justiça; no entanto, estamos diante do perigo da destruição da civilização, ou da robotização, e dentre deste contexto é missão do Brasil realizar essa "nova síntese". Se a Inglaterra e os Estados Unidos moldaram a economia mundial, e a França, a partir de sua revolução de 1789, se transformou em laboratório de experiências políticas, o Brasil moldará a "nova síntese" no Século XXI. "Os grandes líderes da raça humana são os que despertam o homem de seu meio-sono", diz Fromm.
                                   Mas com o advento da Internet – o mundo tornou-se uma grande aldeia, com os  e-mails, Orkuts, Blogs, Chats, vlogs, os chamados instant messengers (Ims)  etc,  o ágora (da civilização grega) é agora, porquanto permite, de forma global,  uma propagação de idéias na busca de outro mundo possível. “Todo grande país se faz pelas idéias, nunca pelos acontecimentos, pois os acontecimentos têm sempre a dimensão das ideias que o produzem... os fatos, sem as idéias, não criam realidades, mas sucessivas ilusões, que trazem erros aos atos daí decorrentes.... A ideia é a verdadeira orientadora da ação política, ensina Afonso Arinos de Melo Franco. Como Gabriel Garcia Márquez, continuo obcecado pela fé na possibilidade de existirem outras formas de se viver — mais justas, menos absurdas, mais dignas.

                                   José Samarago: “...estou a manifestar a minha perplexidade por este tempo que vivemos, cínico, desesperançado, sombrio, terrível em mil dos seus aspectos, ter gerado uma pessoa (é um homem, podia ser uma mulher) que levanta a voz para falar de valores, de responsabilidade pessoal e coletiva, de respeito pelo trabalho, também pela memória daqueles que nos antecederam na vida”.
Estes conceitos que alguma vez foram o cimento da melhor convivência humana sofreram por muito tempo o desprezo dos poderosos, esses mesmos que, a partir de hoje (tenham-no por certo), vão vestir à pressa o novo figurino e clamar em todos os tons - “Eu também, eu também”. Barack Obama, no seu discurso, deu-nos razões (as razões) para que não nos deixemos enganar. O mundo pode ser melhor do que isto a que parecemos ter sido condenados. No fundo, o que Obama nos veio dizer é que outro mundo é possível. Muitos de nós já o vínhamos dizendo há muito. Talvez a ocasião seja boa para que tentemos pôr-nos de acordo sobre o modo e a maneira. Para começar.

“Padrão de consumo dos países desenvolvidos não pode ser replicado”
Para onde irão os indignados e os “occupiers”?

Uma das mesas de debates importante no Fórum Social Temático, em Porto Alegre, da qual me coube participar, foi escutar os testemunhos vivos dos Indignados da Espanha, de Londres, do Egito e dos USA. O que me deixou muito impressionado foi a seriedade dos discursos, longe do viés anárquico dos anos 60 do século passado com suas muitas “parole”. O tema central era “democracia já”. Reivindicava-se uma outra democracia, bem diferente desta a que estamos acostumados, que é mais farsa do que realidade. Querem uma democracia que se constrói a partir da rua e das praças, o lugar do poder originário. Uma democracia que vem de baixo, articulada organicamente com o povo, transparente em seus procedimentos e não mais corroída pela corrupção. Esta democracia, de saída, se caracteriza por vincular justiça social com justiça ecológica.

Curiosamente, os indignados, os “occupiers” e os da Primavera Árabe não se remeteram ao clássico discurso das esquerdas, nem sequer aos sonhos das várias edições do Fórum Social Mundial. Encontramo-nos num outro tempo e surgiu uma nova sensibilidade. Postula-se outro modo de ser cidadão, incluindo poderosamente as mulheres, antes feitas invisíveis, cidadãos com direitos, com participação, com relações horizontais e transversais facilitadas pelas redes sociais, pelo celular, pelo twitter e pelos facebooks. Temos a ver com uma verdadeira revolução. Antes, as relações se organizavam de forma vertical, de cima para baixo. Agora é de forma horizontal, para os lados, na imediatez da comunicação à velocidade da luz. Este modo representa o tempo novo que estamos vivendo, da informação, da descoberta do valor da subjetividade, não aquela da modernidade, encapsulada em si mesma, mas da subjetividade relacional, da emergência de uma consciência de espécie que se descobre dentro da mesma e única Casa Comum; Casa em chamas, ou ruindo pela excessiva pilhagem praticada pelo nosso sistema de produção e consumo.

Essa sensibilidade não tolera mais os métodos do sistema de superar a crise econômica, e as crises dela derivadas, sanando os bancos com o dinheiro dos cidadãos, impondo severa austeridade fiscal, a desmontagem da seguridade social, o achatamento dos salários, o corte dos investimentos, no pressuposto ilusório de que desta forma se reconquista a confiança dos mercados e se reanima a economia. Tal concepção é feita dogma e aí se ouve o estúpido bordão: “TINA: there is no alternative”, não há alternativa. Os sacrílegos sumos sacerdotes da trindade nada santa do FMI, da União Européia e do Banco Central Europeu, deram um golpe financeiro na Grécia e na Itália e puseram lá seus acólitos como gestores da crise, sem passar pelo rito democrático. Tudo é visto e decidido pela ótica exclusiva do econômico, rebaixando o social e aumentando o sofrimento coletivo desnecessário, o desespero das famílias e a indignação dos jovens que não conseguem trabalho. Tudo pode desembocar numa crise com consequências dramáticas.

Paul Krugmann, prêmio Nobel de economia, passou uns dias na Islândia para estudar a forma como esse pequeno país ártico saiu de sua crise avassaladora. Lá seguiram o caminho correto que outros deveriam também ter seguido: deixaram os bancos quebrar, puseram na cadeia os banqueiros e especuladores que praticaram falcatruas, reescreveram a constituição, garantiram a seguridade social para evitar uma derrocada generalizada e conseguiram criar empregos. Consequência: o país saiu do atoleiro e é um dos que mais cresce nos países nórdicos. O caminho islandês foi silenciado pela mídia mundial, por temor de que servisse de exemplo para os demais países. E assim a carruagem, com medidas equivocadas mas coerentes com o sistema, corre célere rumo a um precipício.

Contra esse curso previsível se opõem os indignados. Querem um outro mundo, mais amigo da vida e respeitoso da natureza. Talvez a Islândia servirá de inspiração. Para onde irão? Quem sabe? Seguramente não na direção dos modelos do passado, já exauridos. Irão na direção daquilo que falava Paulo Freire “do inédito viável” que nascerá desse novo imaginário. Ele se expressa, sem violência, dentro de um espírito democrático-participativo, com muito diálogo e trocas enriquecedoras. De todas as formas, o mundo nunca será como antes, muito menos como os capitalistas gostariam que ficasse.