quinta-feira, 4 de fevereiro de 2021

A CHINA É O BERÇO DAS EPIDEMIAS

  Por Theodiano Bastos

Nunca acreditei nessa história de que o coronavírus tenha surgido num mercado de Wuhan, com origem em um morcego, ou um pangolim, e que depois passou para o Homem. 

 

O coronavírus saiu do laboratório de virologia  de segurança máxima P4, em Wuhan, que trabalha com cepas de vírus particularmente perigosas, de onde o coronavírus escapou. https://br.noticias.yahoo.com/laborat%C3%B3rio-wuhan-volta-negar-deixou-escapar-coronav%C3%ADrus-125422988.html

 

O coronavírus veio da China e sem ela nada de equipamentos, nada de insumos, nada de vacinas, nada de doses, nada de nada, diz Caio Saad de Veja.    

A CIA PREVIU EM 2005 PANDEMIA A COMEÇAR NA CHINA EM 2020

Relatório da CIA antecipava “o aparecimento de uma nova doença respiratória humana virulenta, extremamente contagiosa, para a qual não existe tratamento adequado". E fala especificamente no coronavírus

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O relatório foi escrito em setembro de 2005, mas podia ter sido feito hoje. Tal maneira são premonitórias as previsões que lá constavam. O documento, mantido secreto até o jornalista francês Alexandre Adler o revelar num livro  (O Relatório da CIA: Como Será o Mundo em 2020, Editora Bizâncio, na edição portuguesa), antevia “um possível desenvolvimento de uma pandemia mundial”. Escrito por 25 especialistas de política internacional do National Intelligence Council para a CIA, o relatório traça uma análise das grandes tendências do mundo no futuro. Uma reflexão sobre as forças dominantes e os perigos que rodeavam  mundo, que inclui indicações que deveriam guiar a política dos Estados Unidos da América nas décadas seguintes. https://theodianobastos.blogspot.com/2021/01/relatorio-da-cia-de-2005-previu.html

 

Sars (síndrome respiratória aguda grave) em 2003; gripe aviária em 2005; e, agora, a nova cepa do coronavírus: surtos de repercussão internacional têm a China como berço, segundo pesquisadores, não é por coincidência — nem é de agora.

No século 14, na Idade Média, o país originou uma das mais antigas epidemias bem documentadas da história, a peste bubônica, cuja bactéria era transmitida ao ser humano por pulgas que infestavam ratos e outros roedores.

A doença chegou à Europa em 1343 pela rota da seda. Estima-se que a peste, na época, matou pelo menos 75 milhões de pessoas, cerca de 15% da população mundial estimada na época.

"A China é o país é o que mais contribui para que surjam e se espalhem doenças infecciosas pelo mundo por causa do tamanho de sua população", diz o artigo "Emergência e controle de doenças infecciosas na China", escrito em conjunto por pesquisadores chineses e americanos na revista "The Lancet", a mais renomada publicação sobre pesquisa médica no mundo.                                            Por quê? Dica: não é só pela grande população

"Além de ser o país mais populoso do mundo, com cerca de 1,4 bilhão de habitantes, há um histórico de fome e de consumo de qualquer tipo de animal, além da criação de animais sempre muito perto ou dentro de casa, principalmente porcos e aves", afirma o médico sanitarista Claudio Maierovitch, da Fiocruz (Fundação Osvaldo Cruz), em Brasília.

Duas grandes epidemias de doenças respiratórias recentes, como a Sars e a gripe aviária têm origem em vírus oriundos de animais. A nova cepa do coronavírus, estima-se, tem relação com morcegos, que podem ter transmitido a doença para outro animal, que enfim transmitiu o vírus para humanos. Mas o ciclo ainda não está fechado.

"No caso atual, já se demonstrou que o novo vírus tem 96% de semelhança com um que infecta morcegos", afirma Maierovitch.

Gato civeta e consumo de outros pratos exóticos                                    O artigo da "The Lancet" também aponta que o gosto dos chineses por alimentação exótica contribuiu para esses surtos.

As suspeitas sobre o segundo animal na cadeia do surgimento do novo coronavírus recaem sobre a civeta, uma espécie silvestre, chamada também de gato civeta, apesar de não ser um felino e viver em árvores. A espécie é muito apreciada como iguaria no sul da China, onde fica Wuhan, o epicentro da nova epidemia global. https://noticias.uol.com.br/saude/ultimas-noticias/redacao/2020/01/31/sars-h1n1-e-coronavirus-por-que-a-china-e-berco-de-grandes-epidemias.htm

O LABORATÓRIO DE WUHAN DE ALTA SEGURANÇA

por Theodiano Bastos  



Nunca acreditei nessa história de que o coronavírus tenha surgido num mercado de Wuhan, com origem em um morcego, ou um pangolim, e que depois passou para o Homem. 

 

O coronavírus saiu do laboratório de virologia  de segurança máxima P4, em Wuhan, que trabalha com cepas de vírus particularmente perigosas, de onde o coronavírus escapou. https://br.noticias.yahoo.com/laborat%C3%B3rio-wuhan-volta-negar-deixou-escapar-coronav%C3%ADrus-125422988.html

 

O coronavírus veio da China e sem ela nada de equipamentos, nada de insumos, nada de vacinas, nada de doses, nada de nada, diz Caio Saad de Veja.    

No entanto, Zhao Lijian, representante do Ministério das Relações Exteriores chinês, não apresentou provas

PEQUIM — Respondendo aos comentários de funcionários do governo americano culpando a China pela epidemia global de coronavírus, um porta-voz da Chancelaria chinesa disse nesta quinta-feira que militares dos EUA podem ter levado o coronavírusCovid-19 para seu território. Horas antes, um de seus colegas já havia criticado os comentários “imorais e irresponsáveis” de Washington que culpam os chineses pela pandemia.

"Quando o paciente zero começou nos EUA? Quantas pessoas estão infectadas? Quais são os nomes dos hospitais? Pode ser que o Exército americano tenha levado a epidemia a Wuhan. Seja transparente! Torne público seus dados! Os EUA nos devem uma explicação!", disse Lijian em sua conta no Twitter.

O porta-voz, conhecido pelo perfil ávido e combativo no Twitter, não ofereceu qualquer prova que sustentasse a hipótese de que o Sars-CoV-2 tenha sido levado à China por meio de militares americanos. https://oglobo.globo.com/mundo/porta-voz-da-china-sugere-que-militares-dos-eua-levaram-coronavirus-para-pais-24300774  

Pequim ressalta vínculos com EUA e França

Pesquisadores do laboratório chinês de virologia acusado pelos Estados Unidos receberam treinamento neste país e na França - informou o governo chinês nesta quinta-feira (7), em plena controvérsia quanto à origem do novo coronavírus.

O laboratório de alta segurança P4 em Wuhan, cidade onde a COVID-19 foi detectada no final do ano passado, é alvo de teses, segundo as quais o vírus poderia ter escapado do local antes de contaminar o planeta.

O secretário de Estado americano, Mike Pompeo, chegou a afirmar no domingo que existem "enormes evidências" nessa direção, uma tese categoricamente rejeitada por Pequim.

"O laboratório P4 de Wuhan é (o resultado de) uma colaboração entre os governos chinês e francês", lembrou a porta-voz do Ministério chinês das Relações Exteriores, Hua Chunying, à imprensa.

"Sua concepção, gerenciamento e construção atendem a rígidos padrões internacionais, e seus primeiros funcionários foram treinados em laboratórios P4 nos Estados Unidos e na França", acrescentou.

O laboratório recebeu sua certificação oficial em 2017 durante uma cerimônia na presença do primeiro-ministro francês da época, Bernard Cazeneuve.

Sua entrada em serviço foi objeto de um acordo de 2004 entre a China e a França.

Seu equipamento "é testado anualmente por terceiros aprovados pelo Estado", disse Hua, que repetiu que Pompeo não tinha evidências para dizer que a COVID-19 saiu deste local.

"Ele gagueja incoerentemente e continua mentindo", acrescentou ela.

Na web, teorias da conspiração apontam China e EUA como criadores da Covid-19

https://valor.globo.com/mundo/noticia/2020/04/15/diplomatas-dos-eua-alertaram-em-2018-sobre-laboratorio-chines-que-estudava-coronavirus.ghtml

https://www.em.com.br/app/noticia/internacional/2020/05/07/interna_internacional,1145187/laboratorio-de-wuhan-pequim-ressalta-vinculos-com-eua-e-franca.shtml

https://www.em.com.br/app/noticia/internacional/2020/05/07/interna_internacional,1145187/laboratorio-de-wuhan-pequim-ressalta-vinculos-com-eua-e-franca.shtml

 

quinta-feira, 28 de janeiro de 2021

FAÇA AS PAZES COM O SEU MAIOR INIMIGO

Por Nanci Hass da Cruz*

Neste artigo te convido a fazer as pazes com o seu maior inimigo. Falarei sobre um dos conceitos mais importantes desenvolvidos por Carl Gustav Jung dentro da Psicologia Analítica.

Ela é composta pelo que ficou reprimido ou recalcado; também é composta de qualidades, instintos, reações que são apropriadas, além de percepções realistas e criatividade. Essas qualidades que podiam pertencer à personalidade são temidas ou são sentidas como se fossem erradas. É a parte psíquica que negamos em nós mesmos e que projetamos nos outros. E que Jung chamou de Sombra.

Olharmos para nossa própria Sombra seria como olhar nossas próprias costas, ou seja, você não a enxerga. Enxergamos a nossa sombra nos outros, neste fenômeno que chamamos de “projeção”, quando coloco no outro aquilo que é meu, mas não aceito. Tudo aquilo que negamos e guardamos dentro de nós, mas não sabemos disso. A projeção no outro faz com que o projetor enxergue no outro o que, na verdade, é sombrio nele mesmo.

A projeção acontece porque o contato com o lado sombrio da personalidade é para a consciência um contato com um         ”eu inferior”, e isso é chocante. Por isso, há resistência da consciência em reconhecer a sombra como sendo parte de sua psique.

Os conteúdos psíquicos dos quais não temos consciência aparecem de forma projetada como se realmente estivessem em conteúdos externos. A projeção acontece de forma inconsciente e não intencional. O inconsciente não faz isso de forma aleatória, mas escolhe um objeto que possa conter alguma ou muitas das características daquele que projeta. Jung fala de um ‘gancho”, objeto no qual a pessoa que faz a projeção a “pendura” como se fosse um casaco.

Excessos de amor e de ódio por algo ou alguém podem conter boas doses de projeção. A intensidade emocional em discussões acirradas dá boas pistas para percebermos a entrada em ação no palco dos desafetos dessa personagem espinhosa e nem sempre bem-vinda: a “sombra projetada”.

A Sombra é parte integrante da nossa natureza e nunca pode ser simplesmente eliminada. Uma pessoa sem sombra não é um indivíduo completo. Sendo assim, conhecer a Sombra é essencial para que ela não seja projetada nos outros.

Para alcançarmos a maturidade psicológica e avançarmos em direção à individuação, teremos em algum momento que entrar em contato com nossa Sombra. A retirada lenta e gradual das projeções é uma etapa crucial do processo analítico, mas conhecer a Sombra e conhecer o que está oculto em nós é um grande passo em direção a uma vida mais realizada.

Marie-Louise von Franz falava: “Quanto mais a pessoa se conhece e, por conseguinte, menos faz projeções sobre os outros, mais pode se relacionar consigo mesma e com as outras pessoas de maneira mais objetiva, genuína e sem ilusões. …Todo o progresso realizado na compreensão mútua e na melhora das relações entre as pessoas depende da retirada das projeções”.

Um dos objetivos da Arteterapia é a integração da personalidade: integrar o que parece inferior e que foi ficando de lado, excluído de nossa vida, para que possamos ampliar nossa experiência e assumir a responsabilidade por isso.

O ser humano sempre temeu sua própria sombra, pois nela pressente a presença de tudo que, na verdade, desejaria esquecer ou fingir que nunca existiu. Mas sem a conscientização da natureza sombria não há processo de individuação que se sustente.

Neste sentido, o indivíduo terá, invariavelmente, a companhia da Sombra em sua viagem evolutiva rumo à individuação. E terá que derrotar sem cessar seus medos e tudo o mais que o impeça de trazer à esfera da consciência o que está na periferia da psique, partindo constantemente da percepção de sua natureza sombria. A Arteterapia pode contribuir muito para isso, muitas vezes constituindo o primeiro passo no processo de admissão da presença deste atributo negativo, que pode, igualmente, se revelar positivo ao conferir intensidade à criatividade, à inspiração e a todas as emoções que envolvem o processo da criação.

A Arteterapia se utiliza das projeções feitas nas produções artísticas do paciente, onde o inconsciente se revela nos aspectos simbólicos da arte. Sua validade como instrumento de expressão e de projeção da personalidade do indivíduo é comprovada por várias pesquisas e estudos.

Em toda a sua obra, Jung enfatizou a importância dos símbolos, e um dos modos pelos quais os símbolos se expressam é através da arte, pois possui uma linguagem que vem direto do inconsciente do indivíduo – e a possibilidade de uma interação de diversas áreas e aspectos manifestos ou reprimidos, da psique da pessoa.

Com as produções artísticas, terapeuta e paciente trazem a reflexão, que é um movimento psíquico contrário ao da projeção (fora). Significa um voltar-se para dentro, um dobrar-se em si mesmo.

A pessoa não mais simplesmente descarrega suas energias para o lado externo da vida. As reações instintivas e as compulsões cedem lugar a mais liberdade. Não é o mesmo que reprimir a Sombra, mas aceitá-la, dar-lhe um outro significado através de um novo olhar. Se não reconhecermos a nossa Sombra, certamente não seremos capazes de transformá-la. Sim, é uma árdua tarefa!

Como nos diz Jung, para ter a copa livre no céu claro, temos de ter raízes profundamente agarradas à escuridão da terra.

“Mas o que acontecerá se descubro, porventura, que o menor, o mais miserável de todos, o mais pobre dos mendigos, o mais insolente dos meus caluniadores, o meu inimigo, reside dentro de mim, sou eu mesmo, e precisa da esmola da minha bondade, e que eu mesmo sou o inimigo que é necessário amar?”  (Carl Gustav Jung)

Através do autoconhecimento no decorrer do processo arteterapêutico vai se integrando a Sombra. Esse aspecto sombrio e desconhecido da personalidade. Com isso, a pessoa vai diminuindo as projeções no outro e trazendo esses conteúdos antes projetados para si mesma – diminuindo conflitos exteriores onde projetava o ódio, diminuindo paixões doentias onde projetava o amor. Podendo perceber a si mesma sem culpabilizar as pessoas com quem convive. A retirada das projeções com o reconhecimento da própria Sombra é o processo desafiador da Arteterapia rumo às pazes consigo mesmo de forma criativa.

“As pessoas, quando educadas para enxergarem claramente o lado sombrio de sua própria natureza, aprendem ao mesmo tempo a compreender e amar seus semelhantes.” (Carl Gustav Jung)

https://www.fazeraqui.com.br/faca-as-pazes-com-o-seu-maior-inimigo/

quinta-feira, 21 de janeiro de 2021

TEODIANO FILHO, TELEMEDICINA PODE DETECTAR A COVID-19

TEODIANO FREIRE BASTOS FILHO, pesquisador da UFES, testa no México seu protótipo para ser usado na Telemedicina para detectar a COVID-19.

O protótipo do Prof. Teodiano usa os sinais de frequência cardíaca, nível de saturação de oxigênio, pressão arterial e temperatura corpórea para detectar se a pessoa está infectava pela Covid-16. Veja:

https://www1.capes.gov.br/36-noticias/10489-telemedicina-pode-detectar-a-covid-19-antes-dos-sintomas

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Um Assistente Médico Portátil Integrado (AMPI) capaz de ajudar no diagnóstico da COVID-19. Essa é a proposta de um dos projetos da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES) selecionados para o Programa de Combate a Epidemias da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), pelo Edital nº 12/2020. Por meio da telemedicina, o AMPI fará medição de batimentos cardíacos, pressão arterial, nível de saturação de oxigênio e temperatura corpórea.

Teodiano Freire Bastos Filho, representante do projeto, contou que o estudo pretende usar algoritmos de inteligência artificial a partir de uma rede neural de aprendizagem profunda – Deep Learning – nos dados obtidos do usuário. Assim, a infecção será detectada antes de os sintomas se manifestarem, permitindo ao paciente a tomada imediata de precauções, como o isolamento e o atendimento médico para os exames clínicos.

A Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), fundação do Ministério da Educação (MEC), desempenha papel fundamental na expansão e consolidação da pós-graduação stricto sensu (mestrado e doutorado) em todos os estados da Federação.

quinta-feira, 5 de novembro de 2020

A INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL ESTÁ DESTRUINDO A INTELIGÊNCIA HUMANA

Valdir de Oliveira: “A inteligência artificial está destruindo a inteligência humana e precisamos refletir sobre isso”

Entrevista // Valdir Oliveira, superintendente do Sebrae-DF

O Sebrae-DF vai promover o Inova Digital, evento entre 12 e 14 de novembro, com a presença de celebridades do mundo digital como a consultora Brittany Kaiser, diretora de desenvolvimento da Cambridge Analytica, empresa que combinava mineração a análise de dados com comunicação estratégica para processos eleitorais.

Kaiser participou do documentário Privacidade hackeada, transmitido pela Netflix.

Outra figura que confirmou presença é Jaron Lanier, um dos maiores conhecedores da realidade virtual no mundo.

Crítico do Facebook e do Google, é considerado pela revista Time uma das 100 pessoas mais influentes do mundo.

Jaron participou do documentário O Dilema das Redes, na Netflix.

O superintendente regional do Sebrae, Valdir Oliveira, tem se interessado bastante pelo assunto e acredita que há lições para o setor produtivo.

O que Brittany Kaiser, contratada como diretora de negócios da Cambridge Analytica, pode ajudar na compreensão do mundo hoje?

Na transformação, no efeito da manipulação na vida das pessoas. Essa atuação da Cambridge Analytica transformou as pessoas em produto. Ela trouxe um novo conceito de marketing, onde o objetivo é a mudança no comportamento das pessoas para que elas possam consumir o que se está vendendo, independente de ser útil ou não, de ser bom ou não, da necessidade ou não. Precisamos fazer uma reflexão dos limites éticos dessa manipulação das pessoas.

Estamos orientando nossos empreendedores a fazerem a sua transformação digital. Precisamos também estimula-los a uma reflexão dos limites éticos que eles precisam observar para que não criemos monstros com inteligência artificial que nos transformem em robôs a serviço deles.

Não podemos permitir que a inteligência artificial se sobreponha à inteligência humana. Não podemos permitir que a humanidade se destrua pela ignorância e fique a serviço de interesses pontuais.

A Brittany Kaiser se tornou uma ativista na defesa da privacidade das pessoas, na proteção de seus dados, porque ela sabe as terríveis consequências da sua atuação na Cambridge Analytica, que transformou o sentimento das pessoas em ódio e destruição.

A Brittany Kaiser se transformou na resistência à manipulação devido à consciência de seus próprios erros e à ação das autoridades contra o crime cometido.

 

Você tem se interessado muito pelo tema. O que o impressiona na manipulação de dados e invasão da privacidade?

No que nos transformam, no que nos tornamos após sermos manipulados. Na capacidade da inteligência artificial de definir a nossa própria vida, nossos desejos e nossa tomada de decisão.

A atuação com Big Data tem o poder de tirar as pessoas da zona de conforto, da letargia frente à insatisfação e transformá-las em um exército que não sabe ao certo os motivos da guerra, mas que está disposto a vencê-la a qualquer custo.

A inteligência artificial está destruindo a inteligência humana e precisamos refletir sobre isso.

Os instrumentos utilizados nessa manipulação são perversos porque usam do seu próprio perfil para mudar o seu comportamento, sem que você perceba. E quando menos se espera, você está a serviço de uma guerra onde o seu objetivo principal pode ser destruir a si.

O maior ativo da humanidade é a sua liberdade. E o trabalho do Big Data com inteligência artificial retira sua liberdade de escolha e lhe põe a serviço de outros.

A manipulação e a invasão da privacidade são uma afronta à liberdade individual, que é uma cláusula pétrea da vida das pessoas. Precisamos dar um basta nisso para salvarmos o futuro das próximas gerações.

Qual é o maior perigo da manipulação de dados da internet na política e no mercado?

Escolhermos o que não queremos, a decisão de consumo diferente da sua real necessidade, do seu desejo.

Quando somos alvo de manipulação, mudamos nosso comportamento e somos induzidos a termos o desejo que interessa a quem nos manipula e não do que de fato queremos ou precisamos.

Isso serve para o mercado e serve para a política. Até que ponto é ético influenciar na sua decisão de consumo, seja no mercado ou na política, para o único propósito de interesses que não são seus?

Até que ponto é ético despertar o medo para ter como resposta a decisão de consumo que interessa ao manipulador e não aos seus desejos?

Até que ponto é ético invadir a sua privacidade sem o seu consentimento para lhe usar para o propósito do manipulador? O maior perigo da manipulação é lhe transformar em robô na defesa do interesse alheio.

O perigo que corremos é a criação de uma sociedade desprovida de vontade própria, que não defenderá mais suas próprias ideias, um exército de robotizáveis a serviço do interesse de poucos.

Aqui no Brasil, desde nossa descoberta, lutamos por independência. Entretanto, se permitirmos o trabalho do Big Data e da inteligência artificial sem freios e contrapesos, nos tornaremos novamente colônia de um império que servirá ao enriquecimento de poucos. https://blogs.correiobraziliense.com.br/cbpoder/valdir-de-oliveira-a-inteligencia-artificial-esta-destruindo-a-inteligencia-humana-e-precisamos-refletir-sobre-isso/

EUA: SISTEMA ELEITORAL MAIS COMPLICADO DO MUNDO

Questões do império

Anacrônico e antidemocrático, o sistema eleitoral dos Estados Unidos e o mais complicado do mundo

UM GUIA PARA ENTENDER A ELEIÇÃO AMERICANA

LUCAS DE ABREU MAIA

Você provavelmente já sabe que as eleições americanas são, para usar um termo extremamente técnico, uma bagunça. E bem difícil de entender para quem, como os brasileiros, raciocina com base numa eleição direta, em que cada eleitor tem um voto, e o candidato com mais votos vence.

O candidato democrata e ex-vice de Barack Obama, Joseph Biden, é apontado pelas pesquisas como favorito para derrotar o presidente Donald Trump. A apuração desta noite vai deixar muita gente de unhas roídas. Ela acontece estado a estado, e não nacionalmente, como no Brasil. Cada estado tem suas regras e um ritmo diferente para contar os votos. A pandemia de Covid-19 aumenta ainda mais a incerteza. Dificilmente o resultado oficial do pleito será conhecido até o fim do dia – mas já deveremos ter sinais claros de quem será vencedor. A seguir, algumas perguntas para ajudar a entender o sistema eleitoral americano e a forma como os votos são distribuídos entre democratas (cujo símbolo é um burro) e republicanos (cujo símbolo é um elefante).  

Por que quem recebe mais votos da população nas eleições americanas não necessariamente ganha a eleição?

Porque os EUA não foram desenhados para ser uma democracia. Os autores da Constituição dos Estados Unidos morriam de medo da “ditadura da maioria”. Acreditavam em uma República governada por uma elite intelectual. Nesse sistema, o principal líder do país, o presidente, não seria eleito pelo voto do povo.

A ideia era que o eleitor de cada estado escolhesse alguns representantes para que comparecessem a uma conferência nacional, chamada de colégio eleitoral. Nessa conferência, esses representantes – os delegados – debateriam entre si e, juntos, escolheriam um sujeito que se tornaria presidente.

Mal se passaram trinta anos da promulgação da Constituição, em 1787, até que os delegados começassem a vincular seus votos no colégio eleitoral a candidatos específicos. Ou seja, em vez de dizerem que escolheriam o melhor homem (e, naquela época, era necessariamente um homem) para governar o país depois de longos e complexos debates, os delegados já se comprometiam de cara a votar num determinado candidato.

Os estados aprovaram leis obrigando todos os delegados daquele estado a votar no mesmo candidato – e esse candidato tinha de ser, obrigatoriamente, o que recebeu a maioria dos votos dos eleitores naquela unidade federativa.

Na década de 1830, já estava em vigor o sistema atual, uma mistura de voto popular nos estados com o colégio eleitoral que os autores da Constituição haviam pensado. Basicamente, o sistema atual funciona assim: ocorre uma eleição em cada estado, em que os eleitores votam nos seus candidatos favoritos para a Presidência. Mas, em vez de somarem a votação de cada estado para encontrarem o vencedor em todo o país, cada estado (e o Distrito de Columbia que, como o nosso Distrito Federal, não é um estado formalmente) calcula seus votos separadamente. Cada uma dessas unidades tem um número exato de delegados. No colégio eleitoral, esses delegados têm, necessariamente, de votar no candidato que recebeu mais votos naquele estado. É a soma dos votos de cada unidade federativa no colégio eleitoral que determina o vencedor das eleições presidenciais americanas.

Há duas exceções à regra de que o vencedor leva todos os delegados daquele estado: Maine e Nebraska. Neles, a votação é conduzida distrito a distrito. Vai um delegado para o vencedor de cada distrito e um, de bônus, para quem ganhou a eleição no estado inteiro. Há, também, casos de delegados que, quando chegam ao colégio eleitoral, se recusam a votar conforme o eleitorado do seu estado. Mas esses casos são raros o bastante para nunca terem feito qualquer diferença numa eleição presidencial.

Como é definido o número de delegados de cada estado?

Cada estado tem direito a tantos delegados quantos assentos tem no Congresso americano, somando Câmara dos Deputados e Senado. Por exemplo, a Califórnia tem 53 assentos na Câmara e dois no Senado. Tem, portanto, 55 delegados no colégio eleitoral. A exceção é o Distrito de Columbia, que não tem representação no Congresso mas tem três delegados, mesmo assim.

Os assentos na Câmara são distribuídos mais ou menos de acordo com a população de cada estado. Quanto mais populoso o estado, maior sua delegação. Mas há limites. Nenhum estado pode ter menos que um deputado, e o número máximo de deputados na Câmara é 435. O número de assentos no Senado não é proporcional à população. Cada um dos 50 estados tem dois senadores. Isso cria uma distorção, porque os estados mais populosos têm, no Senado, o mesmo número de representantes dos estados menos populosos – e isso vai se refletir na relação entre o total de eleitores representados por delegado no colégio eleitoral.

O colégio eleitoral tem 538 delegados, e vence quem tiver maioria absoluta, com pelo menos 270 votos. https://piaui.folha.uol.com.br/um-guia-para-entender-eleicao-americana/

Por isso Jorge Pontual diz: ‘É muito arcaico e até antidemocrático esse sistema americano’                             O GLOBO 05/11/20